ANÁLISE DAS ELEIÇÕES 2020 EM SÃO MATEUS – Ferreira Júnior (Solidariedade): nome novo falhou pela falta de liderança e improviso na coordenação da campanha

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O radialista e jornalista Ferreira Júnior (Solidariedade), 43 anos, foi a principal novidade nas Eleições 2020 em São Mateus. Candidato a prefeito pela coligação ‘O Novo, a Força e o Progresso’ (Solidariedade, PSB, Pros e Patriota), ele obteve 8.564 votos (14,93%), ficando em terceiro lugar na disputa. Nada mal para quem disputou a primeira eleição concorrendo com 9 adversários, incluindo o então candidato à reeleição Daniel Santana (PSDB), que, além da máquina pública a seu favor, teve uma ‘campanha milionária’. Bastante conhecido no Município por seu trabalho no programa Ronda da Cidade, Ferreira conseguiu montar uma campanha competitiva e poderia ter ido além, se fosse bem assessorado para não cometer erros em aspectos determinantes para quem busca a vitória nas urnas.

Os tempos mudaram, e a sociedade e os eleitores, com os novos espaços de fala (incluindo a internet e as redes sociais) provocaram a mudança na atuação política. Quem ingressa na política já tem que estar enquadrado nesse novo perfil e quem já está dentro precisa se adequar. Há um clamor pela renovação e os nomes novos são bem-vindos. Mas há uma necessidade nomes novos preparados e que tenham capacidade de liderança, a partir da área em que atuam e de seus posicionamentos públicos sobre temas em evidência. Essas carências acompanharam quase todos os candidatos a prefeito em São Mateus, incluindo Ferreira Júnior.

Os profissionais da área da Comunicação Social (especialmente de rádio e TV) que atuam na política têm uma facilidade maior na abordagem ao Eleitor, porque já cumpriram metade do caminho obrigatório a todos os candidatos: em geral, já são conhecidos, têm uma ligação (possibilidade de diálogo) com o público e conhecem as demandas e os principais problemas da Cidade. Foi o caso de Ferreira Júnior e de Carlinhos Lyrio nas Eleições 2020 em São Mateus. No entanto, somente isso não basta. No caso de Ferreira, houve uma demora no posicionamento dele como pré-candidato a prefeito e, até por isso, desperdiçou o período da pré-campanha, no qual limitou-se a participar de reuniões com representantes de outras siglas como ‘nome’ de seu partido.

CAMPANHA ELEITORAL

Sem atuação efetiva nas redes sociais ou incursão pública em assuntos políticos, o radialista não conseguiu ser identificado como uma nova liderança, mas como ‘nome’ do grupo do ex-deputado federal Dr. Jorge Silva, presidente estadual do Solidariedade. Mais do que o candidato, foi observado que a sigla teve participação mais incisiva na formação da coligação com PSB, Pros e Patriota. Todos os quatro partidos com chapas completas de candidatos(as) a vereador(a). O PSB, presidido por Freitas, indicou o candidato a vice-prefeito Dr. Ronaldo Thomazini, 48 anos, nome novo que disputaria a eleição proporcional.

A coligação de Ferreira Júnior captou receita de R$ 210.594,50, o segundo maior orçamento entre os 10 candidatos a prefeito, perdendo para Daniel Santana (PSDB). No entanto, a campanha competitiva enfrentou um problema grave: a falta de coordenação geral profissional. É isso mesmo! Aqueles que insistem em tratar com amadorismo o planejamento e a execução de campanhas eleitorais precisam entender que, há muito tempo, o assunto passou a ser tratado de forma profissional nos aspectos técnico e político. E é um erro grave não fazê-lo na disputa ao cargo de prefeito de uma cidade com mais de 130 mil habitantes.

A campanha de Ferreira Júnior e Dr. Ronaldo Thomazini flertou com o amadorismo em diversos aspectos e isso foi a principal causa da perda de força na reta final e até da diferença de votos para o segundo colocado, com a campanha pelo ‘voto útil’. Por exemplo, houve acertos na contratação de profissionais para a produção de vídeo e tratamento das redes sociais. Mas ficou constatada a lacuna de um comando para coordenar o discurso com as boas propostas do Plano de Governo e a harmonização com a Comunicação Social da campanha, que teve bom visual nas ruas e nas redes sociais. No entanto, a coligação não teve assessoria de imprensa (no estilo ‘casa de ferreiro, espeto de pau’), sendo sentida a ausência de um trabalho jornalístico profissional na produção de vídeos/material de internet e assessoramento aos candidatos em lives e nos debates realizados por veículos de comunicação da Cidade.

O olhar vigilante de um coordenador profissional corrigiria a abordagem de Ferreira Júnior ao Eleitor nos vídeos (que era muito no tom de locução) para um diálogo empático. Simplificando: o apresentador do noticioso Ronda da Cidade teria que dar lugar ao comunicador de rádio AM que atende ao ouvinte por telefone e conversa com ele sobre os assuntos do quotidiano. Aliás, a meu ver, o potencial profissional do radialista foi pouco explorado na propaganda eleitoral, especialmente nos programas de rádio e TV [com o 4º melhor tempo: 1’15’’] e nas inserções diárias, que poderiam valorizar mais as propostas na comparação a pontos fracos da atual administração.

É a velha história: numa campanha eleitoral competitiva, não basta, simplesmente, cumprir a tarefas. É preciso utilizar bem (e harmonicamente) as ferramentas e os recursos de propaganda eleitoral e captação de votos, levando-se em conta a mensagem que se quer passar, o que o Eleitor quer ouvir e o dinamismo da campanha, inclusive com olhar atento à movimentação dos adversários. É a função de um(a) coordenador(a) geral com capacidade de gerenciar esses diversos aspectos. Alguém que atue como elo da coordenação política com a parte operacional da campanha, além de conhecer bem os candidatos a prefeito e vice-prefeito.

SEM PREPARAÇÃO ADEQUADA

Nessa engenharia, o candidato a prefeito precisa também ser um líder político [especialmente junto aos(às) candidatos(as) a vereador(a) e representante dos partidos]. Notou-se que Ferreira Júnior ficou meio a reboque de decisões políticas e operacionais tomadas por outras pessoas na estrutura da campanha. Faltou se preparar melhor como candidato, para passar mais confiança e segurança a Eleitor numa eleição com muitos concorrentes.

Um profissional radialista/jornalista precisa aproveitar bem os debates e, mediante preparação adequada, se impor. Ferreira, assim como Carlinhos Lyrio (Podemos), teve oportunidades em momentos decisivos da campanha. Faltou vontade de vencer, usar argumentos sábios e precisos na defesa das propostas do ‘Projeto Sama 500’ em oposição ao “pior prefeito da história dos 476 anos de São Mateus”, como bem definiu Dr. Mauro Peruchi (Rede). Houve, por exemplo, um momento num dos debates que Ferreira titubeou em resposta a Nilis Castberg (PL) sobre homossexualismo e aborto. Seria uma chance para uma possível ‘invertida’ a um adversário que o mirava à frente, perdendo de vista o candidato à reeleição.

Até por ter sido vítima como candidato, Ferreira Junior poderia ter confrontado Daniel Santana quanto a produção e distribuição de fake news institucionalizada em vez de ter se incomodado com a tentativa do atual prefeito em ligá-lo a políticos desgastados, como Freitas e Amadeu Boroto. Mas admito que seria pedir demais a um profissional que vê o nome do programa que apresenta ser título de página administrada por um criminoso da internet acobertado pelo prefeito. Aliás, precisa ser dito, a Rede SIM, com todo o seu poderio, tem uma dívida alta (da omissão) na luta contra a propagação de notícias falsas na internet e nas redes sociais, especialmente em São Mateus.

A conclusão é que Ferreira Júnior deve, sim, celebrar a boa estreia nas urnas numa eleição difícil em ano atípico marcado pela pandemia da covid-19. Ganha a chance de se preparar melhor, visando ascender de um ‘nome’ a uma liderança em futuras empreitadas político-eleitorais em São Mateus e região.

CHAPAS DE VEREADORES

As quatro chapas de candidatos(as) a vereador(a) apoiadas por Ferreira Júnior e Dr. Ronaldo Thomazini obtiveram 15.107 votos, bem acima dos 8.564 votos da chapa majoritária. Quatro vereadores foram eleitos.

O Solidariedade alcançou 5.120 votos, conseguindo eleger um vereador: Lailson da Aroeira (915 votos). Também foram bem votados Luizinho do 13 (419) e Paulo Roberto (486 votos).

A chapa do Pros obteve 3.508 votos, elegendo Cristiano Balanga (790 votos). Ficaram na suplência Wap Wap (784 votos) e Walternyr Vinhati (463 votos).

Os(as) candidatos(as) a vereador(a) do Patriota conquistaram nas urnas 3.300 votos no total. O eleito foi Delarmano Suim, com 709 votos, e ficaram na suplência os candidatos Branco (665 votos) e Izac Barcelos (474 votos).

Já a chapa do PSB, com apenas 9 candidatos(as), obteve 3.179 votos, conseguindo eleger Robertinho de Assis (1.400 votos). Os suplentes são Preta (473 votos) e Marconinho (358 votos).

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