MORTE DE PRESO DOENTE EM SÃO MATEUS – Sejus alega atendimento no ‘Roberto Silvares’, mas família e hospital desmentem; tentativa de corrigir possível falha da Penitenciária na assistência já mobiliza Justiça

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A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) se pronunciou após a publicação de reportagem do CENSURA ZERO e do BLOG DO ANDRÉ OLIVEIRA sobre a morte de um detento depois de ficar doente na Penitenciária de São Mateus e de a família apontar negligência no atendimento médico dispensado pela instituição e pela Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), na Cidade.

John Samer Gonçalves Rifó, de 28 anos, morreu no dia 24 de maio, às 14h22, no Hospital Evangélico de Vila Velha, depois de, conforme a família relatou e documentos comprovam, não ter recebido a assistência emergencial adequada na penitenciária onde cumpria pena por porte ilegal de arma.

O caso se agrava ainda mais porque, em nota, a Sejus afirma ter havido atendimento ao detento no Hospital Roberto Arnizaut Silvares (HRAS) um dia antes de sua morte, o que é desmentido pela família e pelo próprio hospital da rede estadual de saúde, que é referência para atendimentos de urgência e emergência no Norte do Espírito Santo.

“A Secretaria da Justiça (Sejus) informa que o interno recebeu atendimento de saúde na Penitenciária Regional de São Mateus no dia 22 de maio, tendo sido encaminhado na mesma data à UPA do município. No dia seguinte, diante do agravamento do quadro, ele retornou ao local para novo atendimento, sendo liberado em seguida e, posteriormente, não obtendo melhora, foi encaminhado para o hospital Roberto Silvares”, destaca a nota da Sejus, encaminhada pela Assessoria de Comunicação.

Novamente questionada pelo CENSURA ZERO e pelo BLOG DO ANDRÉ OLIVEIRA, a esposa de John Samer, Leuriane de Jesus Rosi, reiterou que o marido não recebeu atendimento médico no Hospital Roberto Silvares. As informações foram confirmadas pelo Setor de Recepção do HRAS, em consulta ao sistema.

SOLTURA

Ainda conforme a nota da Sejus, “na mesma data, em 23/05, o interno recebeu alvará de soltura expedido pela justiça, ocasião em que familiares do preso recusaram a escolta de policiais penais à unidade hospitalar e optaram em levar o paciente por meios próprios”. Conforme a família destacou, na reportagem publicada, John Samer estava sendo atendido na enfermaria da Penitenciária Regional e não houve orientação de encaminhamento para o Hospital Roberto Silvares.

Diante da situação grave do interno, ao recebê-lo mediante o alvará de soltura, os familiares decidiram levá-lo para a UPA, onde foi examinado por um médico e, posteriormente, removido por ambulância direto para o Hospital Evangélico de Vila Velha.

Na nota encaminhada ao CENSURA ZERO e ao BLOG DO ANDRÉ OLIVEIRA, a Sejus afirma que “oferta serviços de saúde de atenção básica nas unidades, com atendimento regular para toda a população carcerária”, acrescentando que “os casos em que há necessidade de assistência médica de alta complexidade são encaminhados ao serviço de referência da rede pública de saúde Estadual ou Municipal, conforme fluxo do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Segundo a família, a reportagem ajudou a dar publicidade ao fato, atraindo a atenção do Ministério Público e do Poder Judiciário. O Juízo da Vara de Execuções Penais da Comarca de São Mateus já está atuando para apurar a situação.

INTERNAÇÃO E MORTE

As causas oficiais da morte do detento John Samer Gonçalves Rifó foram choque séptico, sepse e infecção cutânea. Mas esposa Leuriane de Jesus Rossi, 25 anos, relatou que a situação de John Samer já inspirava cuidados quatro dias antes, no sábado (20/05), quando ela esteve com ele na visita social.

Leuriane relatou que o marido apresentava “tumor aberto na cabeça, furúnculos e estava com aparência pálida e fraco não comia nem dormia”, necessitando de atendimento médico; e relatou o que ocorreu para levar a família a apontar falhas na assistência e atendimento médico prestados pela Penitenciária Regional e pela UPA de São Mateus [VEJA AQUI].

No Hospital Evangélico, John Samer teve o estado de saúde considerado “muito grave” e passou por exames que, conforme a esposa, constataram que “a bactéria já estava há muitos dias no sangue e cérebro dele; daí tiveram que entubá-lo na UTI”. Apesar dos esforços da equipe médica, o paciente faleceu na tarde de quarta-feira (24/05).

UPA DE SÃO MATEUS

A Secretaria Municipal de Saúde ainda não se pronunciou sobre o atendimento médico prestado pela UPA no caso envolvendo a morte de John Samer Gonçalves Rifó.

No entanto, o CENSURA ZERO e o BLOG DO ANDRÉ OLIVEIRA tiveram acesso ao Atestado Médico ao atendimento fornecido a John Samer em 23 de maio, às 16h48.

“O paciente detento compareceu pela manhã acompanhado da Polícia, referindo haver tomado Penicilina G Bezatina pela manhã e à noite iniciou edema por toda face. Comparece no dia de hoje e foi medicado com Hidrocortisona e Prometazina, agora comparece com hemiface direita edematizada, exoftalmia, edema de pálpebras, e possível ruptura importante de vasos oculares”, destaca o documento em papel timbrado do Pronto Atendimento-PA, da Secretaria Municipal de Saúde – Prefeitura Municipal de São Mateus.

Ainda no teor do Atestado Médico, devidamente assinado, constam as seguintes informações: “Conduta Regulado para Hospital Evangélico em Vitória (sic), e aceito.  Paciente foi levado de urgência ao referido hospital para avaliação e conduta por especialidade. Grata”.

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