ANÁLISE DAS ELEIÇÕES 2020 EM SÃO MATEUS – Carlinhos Lyrio (Podemos): Derrota nas urnas alicerçada na incompetência em campanha, falta de liderança e referências perdidas nos anos 1990

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Disparado o mais experiente dos 10 candidatos a prefeito de São Mateus em 2020, o radialista Carlinhos Lyrio (Podemos) obteve 19.307 votos (33,65%) numa eleição com a participação de 61.572 eleitores. A diferença para o prefeito reeleito Daniel Santana (PSDB) foi de apenas 1.592 votos. Na terceira tentativa de ocupar o ‘palácio negro’ da Avenida Jones dos Santos Neves (atualmente semiabandonado), Carlinhos teria sido eleito se a convocação ao ‘voto útil’ tivesse sido feita como uma proposta de conscientização e não apenas uma ‘onda anti-Daniel’ na reta final da campanha eleitoral. Custaram caro os erros grosseiros de não se preparar adequadamente como candidato (desconhecendo dados relevantes do Município e não buscar uma narrativa nova de discurso), além da falta de liderança e erros na estrutura de campanha com características de desrespeito ao Eleitor.

Com um histórico de participação em oito eleições anteriores (duas como candidato a prefeito), Carlinhos Lyrio acumula uma característica que tem sido determinante no acúmulo de insucessos nas urnas: a dependência do mandato como deputado estadual exercido na lingínqua segunda metade dos anos 1990 e o fato de se apresentar da mesma forma, com o mesmo conteúdo, para o Eleitor, além de renunciar à participação no quotidiano político-social de São Mateus fora das campanhas eleitorais. Ele repete exatamente o mesmo ciclo desde a eleição para deputado estadual em 1994, tendo como novidade apenas trocas de partido, que embute uma instabilidade ideológica e a falta de liderança político-partidária.

Naquele ano, no pique da popularidade alcançada com o trabalho na extinta Rádio Cricaré AM -1.120 Khz, o radialista Carlinhos Lyrio (no PSB) foi eleito para a Assembleia Legislativa, com 15.397 votos, a segunda melhor votação, atrás apenas de então presidente da Ales, Marcos Madureira. Somente para ter ideia do feito, Carlinhos desbancou nomes como Sérgio Vidigal, Sérgio Borges, Max Filho, Nilton Baiano, Ricardo Ferraço, Magno Malta, José Carlos Gratz e Lelo Coimbra. Exerceu o mandato no governo de Vitor Buaiz (1995-1998). Conquistou obras importantes, que são até hoje argumentos de todas as campanhas dele: reforma e ampliação da Escola Estadual Ceciliano Abel de Almeida (Colégio Estadual), novo prédio da US-3, construção da ponte de concreto sobre o Rio Mariricu (substituindo a de madeira), dentre outras obras e ações relevantes.

No entanto, Carlinhos Lyrio mudou-se para Vitória, vinha pouco a São Mateus, perdendo o contato direto com o quotidiano político-social do Município (ainda com identificação destacada com a zona rural naquela época). Também deixou o programa de rádio (e os colegas de profissão), que seria retomado às vésperas da eleição, iniciando um ciclo que se repete até hoje: Carlinhos disputa uma eleição, some do cenário e reaparece às vésperas da eleição apostando no carisma e na espontaneidade no trato com as pessoas. Em 1998, concorrendo pelo PPS, obteve 11.043 votos e não conseguiu a reeleição como deputado estadual, apesar de ter o trabalho reconhecido pelos mateenses.

Depois, Carlinhos Lyrio migrou para o PDT e foi candidato a prefeito em 2004, tendo como vice o então vereador Laurinho Barbosa, numa frente ampla com 10 partidos. A votação obtida foi maior do que a conquistada agora, em 2020 – 19.994 votos (41,58%), mas perdeu para Lauriano Zancanela (PPS), que seria reeleito com 24.422 votos (50,79%). Coincidentemente, a Eleição de 2004 tinha na disputa Daniel da Açaí (PRP), que ficou na terceira colocação com apenas 1.670 votos, à frente de Eneias Zanelato (PT) com 1.586 votos e Jânio Barcelos (PSL) com 404 votos.

Também pelo PDT, Carlinhos viria a enfrentar as urnas como candidato a deputado federal (2006 – 8.975 votos) e vice-prefeito (na chapa de Dr. Jorge Silva em 2008), além de ter renunciado à candidatura a deputado estadual em 2010. Em 2016, no PSD, Carlinhos foi candidato a prefeito de São Mateus pela segunda vez. Ficou na segunda colocação novamente com 14.063 (25,27%), perdendo para Daniel da Açaí (PSDB), que obteve 30.780 votos (55,32%). O outro candidato foi Freitas, que alcançou 10.797 votos (19,41%). Já em 2018, Carlinhos Lyrio concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PHS, obtendo 9.292 votos (a grande maioria em São Mateus).

CARLINHOS PRECISA SE ‘REINVENTAR’

Foi preciso levantar esse histórico detalhado para mostrar que o Eleitor tem respondido aos pedidos de voto de Carlinhos Lyrio, em todos os cargos que tem disputado. Isso confirma a facilidade que ele tem de se comunicar com as pessoas, o carisma e a capacidade de persuasão [que o destacam também na função de contato comercial no rádio]. Mas Carlinhos tem oferecido/apresentado pouco como candidato para alcançar votações suficientes para ser eleito. E sofre desgaste por ter que se sustentar nesses anos como ‘um político sem mandato’.

O indicativo é que ele precisa se reinventar como político e figura pública. É fato que Carlinhos não busca se posicionar como liderança, não tem grupo político-ideológico, não tem o perfil de político que busca capacitação técnica para atuar na gestão em alguma área nas esferas federal, estadual ou municipais. E, como profissional da Comunicação, mantém-se limitado ao rádio de estúdio, não avançou para o uso da internet e das redes sociais, embora tenha potencial para isso. Nas campanhas para mandatos legislativos e nas três para o Executivo mateense, inclusive a de 2020, baseou-se principalmente nos feitos como deputado estadual no período 1995-1998, falando para um eleitorado totalmente renovado, sobre uma realidade que não mais existe naquele Município com menos de 80 mil habitantes…

Soma-se a isso o desinteresse por capacitação técnica e aprofundamento dos conhecimentos sobre conjunturas atuais de São Mateus, do Espírito Santo e do Brasil, essenciais para pretendentes a cargos executivos. Em 2016, por exemplo, Carlinhos Lyrio apresentou como Plano de Governo como candidato a Prefeito uma folha de papel A4 preenchida até pouco mais da metade. E registrou a ‘aberração’ na Justiça Eleitoral. Está lá para consulta pública. Em 2020, melhorou bastante formando a Frente para Reconstruir São Mateus (Podemos, PP, Avante e PCdoB), tendo o empresário Cássio Caldeira (PP) como candidato a vice-prefeito. Mas isso não se traduziu em capacidade de articulação político-partidária!

SEM LIDERANÇA

Pela experiência em política e campanha eleitoral, Carlinhos Lyrio precisava ter assumido a responsabilidade de liderar a frente de oposição ao então candidato à reeleição Daniel Santana. Mas faltou a capacidade de liderança que demonstra não ter ao longo desses anos. Nem presidência de partido ele se dispõe a assumir, ficando dependente de articulações feitas por terceiros. É um perfil que dificulta no convencimento à afirmação como gestor de uma cidade com 130 mil habitantes e referência macrorregional. Faltam argumentos para os apoiadores multiplicarem votos assertivos. Precisará sempre contar com a fragilidade de adversário(s). Em 2016, Freitas foi rejeitado e ele soltou para o segundo lugar; este ano, surfou na ‘onda do voto útil’ entre os eleitores anti-Daniel.

Mas é preciso registrar que o candidato do Podemos, que ainda precisa explicar porque trocou a raça/cor de ‘branca’ para ‘parda’ este ano, teve orçamento modesto de R$ 85.010,00, mal-distribuídos numa estrutura de campanha deficitária. Faltou liderança de Carlinhos e Cássio junto aos(às) candidatos(as) a vereador(a) de Podemos, PCdoB e, principalmente, Progressistas. As chapas proporcionais juntas conquistaram 10.307 votos, mas candidatos com grande potencial de voto fizeram campanha desvinculada da chapa majoritária. E lembremos: a diferença para o candidato reeleito foi de apenas 1.592 votos.

Diante do adversário principal que mal abriu a boca na campanha, mergulhado em indícios de corrupção e com a pior gestão da história de São Mateus, afirmo com toda a segurança que faltou gana a Carlinhos e Cássio; aquela vontade aguda de vencer as eleições que leva à superação e impulsiona a disputar votos como um cão faminto briga com outros por um pedaço de osso de galinha [para ficar somente nessa comparação]. Seria questão de honra para um profissional da Comunicação afinado com o discurso popular chegar a debates, como os realizados em São Mateus, e, com todo o respeito, colocar o prefeito festeiro e mentiroso no seu devido lugar! Era responsabilidade a ser cobrada também do estreante Ferreira Júnior (Solidariedade), mas, principalmente, de Carlinhos Lyrio, que foi incompetente durante toda a campanha ao não confrontar necessária e adequadamente o então candidato à reeleição abrigado num finíssimo e transparente telhado de vidro.

Disputando o cargo de prefeito pela terceira vez em 16 anos, Carlinhos abriu mão de levar para os debates, por exemplo, a capacidade de se indignar contra as mazelas que o Povo Mateense sofre por conta da atual gestão fraca e incompetente, alicerçada na mentira e na injustiça das ações, apoiadas na prática de fake news institucionalizada. E olha que ele foi vítima delas durante a campanha!

FALHA NA ESTRUTURA DE COMUNICAÇÃO

Vale o registro de que o radialista falhou também na definição de uma estrutura profissional de Comunicação Social para divulgar ao Eleitor as boas propostas do Plano de Governo e aproveitou mal os programas de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, além das inserções, mesmo tendo o terceiro maior tempo definido pela Justiça Eleitoral. O que esperar de um candidato que falha de forma grosseira na área que deveria se mostrar mais competente, pois é a área de sua atuação profissional?

Que os Eleitores de São Mateus não se esqueçam de responsabilizar os nove concorrentes do prefeito reeleito pela oferta de mais 4 anos de possível gestão sofrível. E distribuir entre eles os devidos percentuais de culpa, da qual Carlinhos Lyrio, por tudo que foi analisado aqui, certamente tem a maior parcela! Desculpem, mas não tem nem como imputar dolo somente aos que foram ‘encantados pelo conto de Daniel’. De uma forma ou de outra, como afirmou o (in)gestor reeleito ‘são eleitores mirins’!

CHAPAS DE VEREADORES

As chapas de candidatos(as) a vereador(a) apoiados por Carlinhos Lyrio-Cássio Caldeira, com um total de 10.307 votos, conquistaram três vagas na Câmara de São Mateus para o mandato 2021-2024.

Os(as) candidatos(as) do Podemos alcançaram 5.541 votos, elegendo Carlinho Simião (658 votos). Também foram bem votados os candidatos Carlinhos Pirola (596 votos), Maná (491) e Mateusão Filho (453 votos).

A chapa proporcional do Progressistas obteve um total de 4.957 votos. O candidato Paulinho Fundão foi eleito vereador com 1.078 votos. Na suplência ficaram, Jorginho Cabeção (828 votos), Jozail do Bombeiro (800) e Jerri Pereira (759 votos).

O PCdoB disputou a eleição para vereadores(as) com apenas cinco candidatos(as). Jonas Bonomo obteve 100 votos; seguido de Osvaldo Alves (37) e Aragão (36 votos).

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