ANÁLISE DAS ELEIÇÕES 2020 EM SÃO MATEUS – Hubistenyo Cajá (PSD): Conhecimento sem argumentação adequada nem campanha competitiva

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Identificando-se como “o verdadeiro candidato a prefeito da periferia”, o administrador Hubistenyo Cajá, o ‘Bill’ (PSD), 38 anos, disputou uma eleição pela primeira vez e obteve apenas 375 votos, ficando em penúltimo lugar dentre os 10 postulantes ao cargo de Chefe do Executivo de São Mateus nas Eleições 2020.

Nascido em Teixeira de Freitas-BA, Hubistenyo veio para São Mateus com apenas cinco meses de vida, junto com os sonhos da família em ter uma vida melhor em terras capixabas. Até os 24 anos, morou no Bairro Cacique, mudando-se para o Bairro Vitória, onde vive até hoje.

Hubistenyo cometeu um erro crasso para quem se propõe a ser prefeito de uma cidade do porte de São Mateus: não buscou os meios para ter uma campanha competitiva. Ainda mais porque tinha pela frente o desafio de enfrentar nas urnas o atual prefeito, que já dava mostras de fazer um investimento alto na campanha eleitoral.

COLIGAÇÃO

A articulação do PSD com o Partido da Mulher Brasileira (PMB) deu certo e, desde a pré-campanha, os partidos definiram à caminhada juntos. Bacharel em Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Pública, Hubistenyo Cajá apostou no conhecimento para confirmar sua candidatura a prefeito.

No entanto, desde a pré-campanha, apresentou deficiência na Comunicação e no aproveitamento/bom uso da internet e das redes sociais na apresentação pessoal e política ao Eleitor. A conversa firme presencial, com o detalhamento de ideias, não tinha ressonância no meio virtual. E assim seguiu durante a campanha eleitoral, depois de bater o pé e se manter na disputa com a coligação ‘Por um São Mateus melhor’.

Se foi positivo não ceder às propostas da fase de articulações partidárias, diante da defesa consistente que fazia de suas ideias de gestão, é preciso registrar que ele também não conseguiu reforçar seu grupo político com outras siglas. Pelo contrário, esbarrou na falta de traquejo político-partidário da campanha.

O PMB teve os pedidos de candidatura da vice-prefeita Cida Mango, 53 anos (que acabou substituída pelo presidente Adenes Fontes, 39 anos) e de oito vereadores indeferidos por problemas na documentação. Já o PSD, teve seis indeferimentos e uma renúncia de candidatos a vereador. Um desfalque e tanto para quem precisava ter seu nome propagado com intensidade nos bairros.

Aliás creio que a escolha do nome político Hubistenyo Cajá somente permaneceu porque ele não teve uma coordenação de campanha profissional. Uma avaliação com mais empática teria detectado que o Eleitor teria dificuldades na identificação do candidato. Se erra no nome, não assimila proposta. Não faltou quem o chamasse de ‘Kubistênio’, ‘Abistênio’ e outros nomes mais estranhos. Foi um desafio até para os candidatos adversários.  Bill Cajá talvez soasse melhor…

PLANO DE GOVERNO GENÉRICO

O Plano de Governo foi genérico, sem nenhuma bandeira específica de campanha ou proposta concreta que atendesse às demandas mais contundentes da população mateense, como a solução definitiva para o abastecimento de água [prometida e não cumprida pelo atual prefeito, então candidato à reeleição].

Hubistenyo adotou um discurso com tom muito incisivo, sem argumentos de persuasão para convencer o Eleitor de que seria a melhor opção dentre os candidatos. Como não havia quem o instruísse, levou o aspecto nervoso da apresentação de seu Plano de Governo para o programa de propaganda eleitoral (com 45 segundos) e para os debates.

Além de uma comunicação mais serena e objetiva, faltou a ele preparação para os três debates realizados com os demais candidatos. Sem contar que também abdicou de confrontar o prefeito, nos mais diversos aspectos negativos da atual administração. Perdeu a chance de evidenciar suas possíveis qualidades como administrador capacitado em gestão pública; e, nas chances para se inserir como o “verdadeiro candidato da periferia”, faltou argumentação precisa!

Há que se destacar a vontade política de Hubistenyo em implantar novos conceitos de administração pública em São Mateus e o fato de ser o único candidato negro a prefeito na disputa. Teria autenticidade para confrontar Daniel Santana (PSDB) e Carlinhos Lyrio (Podemos), que disputaram eleições anteriores como brancos e mudaram a cor/raça para ‘parda’ nessas Eleições 2020. Mas nem mencionou isso nos debates. Também não explorou o fato de ser um o mais jovem dentre os 10 candidatos a prefeito.

Não ser conhecido no meio político, não ter uma coordenação de campanha profissional com valorização do marketing político e poucos recursos financeiros para desenvolver as atividades [R$ 22.950,00, no caso de Hubistenyo Cajá] deixam a lição de que uma campanha competitiva passa pela preparação adequada do candidato para o pleito e condições mínimas de estrutura.

VEREADORES

Dos 12 candidatos(as) que concorreram pelo PSD, apenas dois tiveram mais de 100 votos: Maurício de Jesus (162) e Wanderley Siqueira (119). O ponto negativo é que uma mulher, Narciza Alves, não teve nenhum voto computado na urna. No total, o partido obteve 735 votos na chapa proporcional.

Já o PMB disputou as eleições com apenas dois candidatos a vereador: Denilson Moraes obteve 74 votos e Lenso alcançou 47 votos. No total, incluindo os votos de legenda, foram 128 votos.

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